Orquídea
Orquídeas são todas as plantas que compõem a família
Orchidaceae, pertencente à ordem Asparagales, uma das maiores famílias de
plantas existentes. Apresentam muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos
e existem em todos os continentes, exceto na Antártida, predominando nas áreas
tropicais. Majoritariamente epífitas, as orquídeas crescem sobre as árvores,
usando-as somente como apoio para buscar luz; não são plantas parasitas,
nutrindo-se apenas de material em decomposição que cai das árvores e acumula-se
ao emaranhar-se em suas raízes. Elas encontram muitas formas de reprodução: na
natureza, principalmente pela dispersão das sementes mas em cultivo pela
divisão de touceiras, semeadura in-vitro ou meristemagem.
A respeito da enorme variedade de espécies, pouquíssimos são
os casos em que se encontrou utilidade comercial para as orquídeas além do uso
ornamental. Entre seus poucos usos, o único amplamente difundido é a produção
de baunilha a partir dos frutos de algumas espécies do gênero Vanilla, mas mesmo
este limitado pela produção de um composto artificial similar de custo muito
inferior. Mesmo para ornamentação, apenas uma pequena parcela das espécies é
utilizada, pois a grande maioria apresenta flores pequenas e folhagens pouco
atrativas. Por outro lado, das espécies vistosas, os orquidicultores vêm
obtendo milhares de diferenteshíbridos de grande efeito e apelo comercial.
Apesar da grande maioria das espécies não serem vistosas, o
formato intrigante de suas flores é muito atrativo aos aficcionados que prestam
atenção às espécies pequenas. Como nenhuma outra família de plantas, as
orquídeas despertam interesse emcolecionadores que ajuntam-se em associações
orquidófilas, presentes em grande parte das cidades por todo o mundo. Estas
sociedades geralmente apresentam palestras frequentes e exposições de orquídeas
periódicas, contribuindo muito para a difusão do interesse por estas plantas e
induzindo os cultivadores profissionais a reproduzir artificialmente até
espécies que poucos julgariam ter algum valor ornamental, contribuindo para
diminuir a pressão sobre a coleta das plantas ainda presentes na natureza
Distribuição
Embora sua distribuição seja bastante irregular, as
orquídeas são encontradas praticamente em todas as regiões do planeta, com
exceção da Antártida. Devido a grande distribuição geográfica, é natural que um
grupo tão diverso também apresente adaptações aos mais diferentes climas, bem
como a multiplicidade dos agentes polinizadores presentes em cada região.1
Trata-se de uma família em ativo ciclo evolutivo e seus gêneros mais próximos
cruzam-se com certa facilidade na natureza, desafiando o antigo conceito botânico
em que uma espécie é formada por todos os indivíduos capazes de cruzar com a
produção de descendentes férteis.2
A predominância das espécies ocorre nas regiões tropicais,
notavelmente nas áreas montanhosas, que representam barreiras naturais e isolam
as diversas populações de plantas. Algumas áreas principais são as ilhas e a
área continental do sudeste asiático e a região das montanhas da Colômbia e
Equador onde se pode encontrar um grande número de espécies, devido ao
isolamento das espécies pelas diversas ilhas ou separadas pelas cadeias de
montanhas, ocasionando elevado número de endemismos. O terceiro local
emdiversidade possivelmente é a mata Atlântica brasileira com mais de mil e
quinhentas espécies.3 Outras áreas importantes são as montanhas ao sul do
Himalaia na Índia e China, as montanhas da América Central e o sudeste
africano, notadamente a ilha deMadagascar.4 5 6 7 8
A Colômbia é o país onde existe o maior número de espécies
registradas, chegando ao número de 4 010,9 , imediatamente seguido pelo
Equador, com 3 549,9 , Nova Guiné, com 2 717,9 e Brasil, que totaliza 2 590.9
Entre outros, Borneu, Sumatra, Madagascar,Venezuela e Costa Rica, são países
com elevado número de espécies.10
Podemos dividir de maneira grosseira a presença de orquídeas
pelos continentes do seguinte modo:11
· Eurásia -
entre 40 e 60 gêneros
· América do
Norte - entre 20 e 30 gêneros
· América
Latina - entre 300 e 350 gêneros
· África
tropical - entre 125 e 150 gêneros
· Ásia tropical
- entre 250 e 300 gêneros
· Oceania -
entre 50 e 70 gêneros
Os tipos de orquídeas que predominam em cada uma dessas
áreas também são muito variáveis. Nas regiões tropicais úmidas, onde aluz e a
umidade são abundantes, porém a competição com espécies arbóreas é muito forte,
as orquídeas assumem um hábito predominantemente epifítico.12 Em busca de luz
sob a sombra de árvores de mais de até 40 metros de altura, estas ervas crescem
sobre os galhos e troncos, a alturas variadas de acordo com as necessidades de
cada espécie. Suas raízes, expostas ao ar, obtêm a maior parte dos nutrientes
do material em decomposição ao seu redor, da água da chuva que lava as folhas
das árvores no alto, ou dapoeira existente no ar. Entremeado ao velame, existe
um fungo chamado micorriza que auxilia na decomposição de matéria orgânica e na
transformação desta em sais minerais, para facilitar sua absorção. Em casos
extremos de umidade, as orquídeas podem absorver aágua e os nutrientes pelos
poros em suas folhas, relegando as raízes apenas a função de sustentar a planta
sobre o substrato. Nenhuma orquídea assume a função de parasita, ou seja, sua
presença não prejudica seus hospedeiros embora haja casos excepcionais em que o
galho de uma árvore não suporte o peso de uma grande colônia de orquídeas e
venha a quebrar. Há também muitas espécies terrestres, algumas destas, nas
regiões tropicais, mantêm-se em desenvolvimento constante durante todo o ano.12
A grande quantidade de matéria orgânica disponível no solo da floresta favorece
o surgimento de algumas poucas espécies saprófitas, orquídeas desprovidas de
clorofila que obtêm toda a matéria orgânica de que precisam do material em
decomposição ao seu redor.13
Em regiões de clima temperado, onde a relva é predominante,
ou em regiões de secas como as áreas de savana e os campos rupestres, as
orquídeas são basicamente plantas terrestres, com raízes subterrâneas bem
desenvolvidas, às vezes com a formação detubérculos equipando-as para
resistirem ao frio e à neve, ou à seca prolongada e ao fogo. O frio congelaria
as espécies epífitas que não têm raízes abrigadas para armazenarem os
nutrientes necessários para a brotação na primavera. Também o fogo consumiria
inteiramente as plantas epífitas. Nestas áreas de clima sazonal, as plantas normalmente
passam por um estágio de dormência, em que, muitas vezes, sua parte aérea seca
para evitar danos à sua fisiologia devido à seca, ou ao frio extremo.14
Algumas espécies são consideradas ameaçadas de extinção na
natureza, tanto pelas coletas indiscriminadas como pelo corte dasflorestas para
agricultura e mesmo pela utilização de agentes desfoliantes em guerras
ocorridas no passado.15 Surpreendentemente, a maioria das espécies consideradas
ameaçadas de extinção estão entre as mais comuns em cultivo e das quais há
maior produção comercial.16 A maioria das espécies realmente raras não está
presente nestas listas por não apresentarem verdadeiro valor comercial e pouco
interesse despertarem. De modo geral, pelo seu baixo valor comercial, os
governos não fazem levantamentos sobre a populaçãode orquídeas presentes na
natureza e os que existem são apenas resultado de estudos acadêmicos
pontuais.17
É interessante ressaltar ainda o fato de que um único fruto
de orquídea carrega centenas de milhares de sementes e que a existência de dois
ou três indivíduos em cultivo pode produzir no espaço de poucos anos
elevadíssima quantidade de plantas, tornando a ameaça de extinção desta planta
muito diferente da ameaça de extinção de uma animal, que produz apenas poucos
filhos por gestação.18 19
Etimologia
O nome orquídea vem do grego όρχις (órkhis) que significa
testículo e ειδος (eidos) que significa: aspecto, forma; em referência ao
formato dos dois pequenos tubérculos que as espécies do gênero Orchis
apresentam.20 Como este gênero foi o primeiro gênero de orquídeas a ser
formalmente descrito, dele derivou o nome de toda a família.21
Taxonomia
Orchidaceae é considerada uma das maiores, senão a maior
entre todas as famílias botânicas.11 O número de espécies de orquídeas é próximo
a vinte cinco mil, correspondendo a cerca de 8% de todas as plantas com
sementes.10 A quantidade de espécies aceitas é quatro vezes maior que a soma do
número de mamíferos e o dobro das espécies de aves.22 Esses imponentes números
desconsideram a enorme quantidade de híbridos e variedades produzidos por
orquidicultores todos os anos. Além disso, anualmente centenas de espécies
novas são descritas, tanto fruto de revisões de gêneros há muito estabelecidos,
mas cujas espécies não se encontravam bem determinadas, como novas espécies
encontradas na natureza.23
A família Orchidaceae foi estabelecida em 1789 por Antoine
Laurent de Jussieu ao publicar seu Genera Plantarum.21 Antes de Jussieu
classificar a família, Linnaeus já havia descrito oito gêneros de orquídeas
que, no entanto, não se constituíam em uma família à parte. Todas as espécies
epífitas então pertenciam ao gênero Epidendrum.24
Desde a criação da Orchidaceae a pesquisa sobre estas
espécies tem sido ininterrupta. Sua classificação sofreu diversas revisões e o
número de gêneros conhecidos em que se dividem vem aumentando ao longo dos
anos, atualmente elevando-se a mais de 800.25 O número exato é incerto, pois
não há consenso sobre a melhor maneira de dividir os gêneros. Conforme a
referência consultada, os gêneros aceitos são diferentes ocasionando esta
grande variação numérica, basta comparar a quantidade de gêneros publicados
desde 2002 para classificação das espécies anteriormente subordinadas ao gênero
Dendrobium26 e os gêneros aceitos pelo banco de dados do Royal Botanic
Garden.10 A tendência mais recente é a classificação baseada em caracteres
moleculares, ou genéticos, chamadafilogenética, que teoricamente reflete as
relações evolutivas entre os grupos de espécies, no entanto, este sistema ainda
é novo e nem todos os estudiosos aceitam-no plenamente, muitos ainda preferindo
a avaliação morfológica. Grande debate ocorre pelos membros de ambas as
tendências como se conclui pelas palavras do filogenista Mark Chase, que relega
a morfologia a plano secundário,27 e impacientes palavras de Carlyle August
Luer, um morfologista que há trinta anos vem se dedicando às espécies da
subtriboPleurothallidinae,28 com as regras de Mark Wayne Chase.22 29
As espécies de orquídeas são um desafio para os teóricos em Biologia,
no que diz respeito ao próprio conceito de espécie, aquela formada por
indivíduos capazes de reproduzirem-se produzindo descendentes férteis. A
maioria das espécies de orquídeas é capaz de cruzar com as espécies próximas e
produzir híbridos férteis. Estes híbridos ainda podem ser cruzados com outras
espécies, e produzir novas gerações de híbridos férteis. Mesmo a maioria dos
gêneros próximos pode cruzar produzindo descendentes férteis. Há inumeráveis
híbridos entre espécies, e milhares mesmo entre gêneros. Há híbridos obtidos
através do cruzamento de várias gerações de híbridos de quatro ou mais gêneros
distintos. Este fenômeno é um dos trunfos dos orquidicultores, que podem
misturar suas espécies e obter uma combinação quase infinita de novas formas e
cores, mas híbridos ocorrem também naturalmente sem a intervenção humana.12 É
possível que várias espécies classificadas pelos botânicos sejam, na verdade,
híbridos naturais há muito estabelecidos na natureza.30
Como o conceito tradicional de espécie, não se aplica às
orquídeas, a delimitação exata de cada espécie de orquídea também muitas vezes
é bastante complicada. Muitos grupos encontram-se isolados e apresentam
pequenas diferenças morfológicas que alguns estudiosos julgam suficientes para
o estabelecimento de espécies independentes enquanto outros julgam estas
variações apenas como características normais de endemismos, sem importância
suficiente para caracterizar uma espécie à parte.17 Assim também o número exato
de espécies de orquídeas aceito pela comunidade científica é altamente variável
conforme a referência consultada. É estimado que existam 50 mil espécies de
orquídea, sendo que 20 mil delas são encontradas na natureza e outras 30 mil
foram criadas a partir do cruzamento de espécies diferentes. No meio científico
é estimado que mais de 5 mil orquídeas nativas ainda serão descobertas.31 32
Há ainda complicadores em que espécies próximas cruzam-se
habitualmente, produzindo grupos de plantas levemente diferentes e mesmo novas
espécies muito próximas a uma das espécies originais, ou casos em que as
espécies originais acabam por mesclarem-se totalmente aos descendentes
produzindo grupos de plantas muito variáveis.33 A tendência moderna é a de se
classificar estas espécies de difícil delimitação em complexos que algumas
vezes de fato constituem-se por muitas espécies intermediárias de difícil
separação. Nestes casos, nota-se claramente a diferença entre alguns indivíduos
extremos, mas a maioria é de difícil identificação. Há muitos exemplos, dentre
os quais citamos os complexos da Brasiliorchis picta34 , do Anacheilium vespa35
, da Heterotaxis crassifolia36 , e inumeráveis outros.
A família Orchidaceae divide-se em cinco subfamílias
(números estimados de gêneros e espécies pelo Phylogeny Group):
· Apostasioideae, Reichenbach
Plantas com pólen pastoso ou farinoso, que geralmente não
formam polínias, com duas ou três anteras férteis linear-lanceoladas, folhas de
bases embainhadas, estaminóide alongado e labelo similar às pétalas. São 2
gêneros e 16 espécies do Sudeste Asiático;
·
Cypripedioideae, Lindley
Plantas com pólen pastoso ou farinoso, que geralmente não
formam polínias, com duas anteras férteis oblongas ou ovais, folhas de bases
embainhadas, estaminóde em formato de escudo e labelo geralmente saquiforme.
São 5 gêneros e 170 espécies das regiões temperadas do mundo, poucas na América
tropical;
·
Vanilloideae, Szlachetko
Plantas com pólen pastoso ou farinoso, que geralmente não
formam polínias, com uma antera fértil incumbente e folhas sem bases
embainhadas. São 15 gêneros e 250 espécies na faixa tropical e subtropical
úmida do globo, e leste dos Estados Unidos;
· Orchidoideae,
Lindley
Plantas com pólen coeso formando polínias, uma antera fértil
ereta ou tombada para trás e folhas enroladas claramente plicadas, raízes
frequentemente carnosas. São 208 gêneros e 3630 espécies distribuídas em todo
mundo, exceto nos desertos mais secos, no círculo Ártico e na Antártida;
·
Epidendroideae, Lindley
Plantas com pólen coeso formando polínias, com antera
incumbente, ou tombada para trás mas então com folhas claramente plicadas e
raízes raramente carnosas. Formada por mais de 500 gêneros e cerca de 20.000
espécies distribuídas sobre as mesmas regiões de Orchidoideae, embora existam
algumas espécies subterrâneas no deserto australiano.
A divisão das espécies pelos gêneros é muito irregular. Há
grande quantidade de gêneros com apenas uma espécie e alguns com mais de mil.
Apesar de muitos destes grandes gêneros estarem passando por processos de
revisão e divisão em gêneros menores e mais manejáveis, citamos aqui alguns
como estavam até recentemente.10 Bulbophyllum com quase duas mil espécies;
Lepanthes, Stelis,Epidendrum, Pleurothallis, e Dendrobium com mais de mil;
Oncidium, Habenaria e Maxillaria com cerca de 700, e Masdevallia com mais de
500.
Morfologia
Entre todas as características distintivas da família
Orchidaceae, muito poucas são compartilhadas por todas as espécies devido ao
fato destas encontrarem-se em diferentes estágios evolucionários. Alguns grupos
divergiram do grupo principal nos primeiros estágios evolutivos da família,
enquanto outros permaneceram constantes por muito tempo.37
Entre as características que distinguem esta família as mais
importantes são:1
· A presença
da coluna, estrutura originada pela fusão de seus órgãos sexuais masculinos e
femininos;
· Grãos de
pólen agrupados em estruturas cartilaginosas chamadas polínias;
· Sementes
muito pequenas, quase sem nutrientes, formada por agrupamentos com poucas
células, as quais somente germinam na presença de certos fungos;
· Flores de
simetria lateral, não radial, constituídas por seis segmentos, três externos
chamados sépalas e três internos, chamados pétalas. Das pétalas, uma bastante
diferenciada, chama labelo, normalmente responsável pela atração de agentes
polinizadores para a coluna da flor. As flores das orquídeas costumam
apresentar-se invertidas de sua posição normal devido à torção do ovário em
180º durante o crescimento dos botões, em um processo chamado ressupinação;
· A maioria
das espécies epífitas apresenta as raízes cobertas por estrutura esponjosa
chamada velame;
· São plantas
de duração indeterminada pois crescem indefinidamente, de modo contínuo ou em
surtos anuais, teoricamente por tempo ilimitado. Muito pouco se sabe sobre a
idade que uma orquídea pode alcançar porém há registros de sua longevidade
tanto pelo exemplar mais antigo em cultivo no Royal Botanic Garden, que tem
mais de 200 anos, como por uma planta pertencente à Círculo Americanense de
Orquidófilos, já há mais de cem anos em cultivo.
Para todas as características citadas acima há abundantes
exceções, no entanto todas as orquídeas compartilham em diferente grau diversas
destas qualidades.1
Hábitat
As orquídeas adaptaram-se aos mais variados ambientes. Podem
ser terrestres, crescendo tanto em campinas e savanas em meio à relva, como sobre
o solo de florestas sombrias; epífitas sobre árvores ou arbustos, próximas ao
solo abrigadas da luz, ou perto do topo das árvores e cactos, submetidas à
bastante luz; litófitas crescendo sobre solos rochosos ou apoiadas diretamente
nas pedras,psamófitas sobre a areia das praias, saprófitas em turfa e elementos
em decomposição no solo, ou raramente aquáticas em brejos e áreas pantanosas.
Um caso extremo é uma espécie subterrânea da Austrália da qual apenas
ocasionalmente emergem as flores.38
Crescimento
Apresentam crescimento contínuo ou sazonal, simpodial ou
monopodial, agrupado ou espaçado, ascendente ou pendente, aéreo ou subterrâneo,
o crescimento das orquídeas dá-se de maneiras muito diversas.39 Conforme o
ambiente predominam certas formas de crescimento. Nas áreas tropicais o
crescimento contínuo é mais comum, porém existem espécies de crescimento
sazonal. Em áreas sujeitas a secas ou frio intenso o crescimento costuma ser
sazonal. As orquídeas monopodiais costumam crescer de maneira contínua. As simpodiais
apresentam certa sazonalidade.12
Raízes
As orquídeas não apresentam raízes primárias, que são raízes
centrais principais de onde brotam outras raízes secundárias, mas apenas as
raízes secundárias as quais brotam diretamente do caule e ocasionalmente de
outras raízes. Frequentemente servem de depósitos de nutrientes e água e ajudam
as plantas a reterem e acumularem de material nutritivo que se deposita em suas
bases. Em alguns casos são também órgãos clorofilados capazes de realizarem
fotossíntese durante os períodos em que as plantas perdem as folhas. Variam em
espessura, de muito finas a extremamente grossas. A estrutura das raízes
diferencia-se muito entre as orquídeas, conforme a maneira e local onde
crescem.39 Portanto, trata-se mais de um rizoma do que propriamente de uma raiz
estruturada.
As espécies epífitas geralmente apresentam robustas raízes,
cilíndricas enquanto aéreas, as quais assumem formato achatado após aderirem ao
substrato. Em regra são recobertas por espessa superfície esponjosa e porosa
denominada velame, tecido altamente especializado na absorção de água ou
umidade do ar.37
As espécies terrestres normalmente encontram-se espessadas
em pequenas ou grandes estruturas parecidas com tubérculos de esféricos a
longamente cilíndricos que servem de reserva de nutrientes e água e substituem
os pseudobulbos presentes nas espécies epífitas. Ocasionalmente estes
tubérculos separam-se da planta principal originando novas plantas.37
A durabilidade das raízes varia em função dos fatores
ambientais e geralmente é inferior à duração dos caules. Novas raízes costumam
brotar durante ou no final do período de crescimento vegetativo da planta.37
Apesar de geralmente não ser a fonte principal de nutrientes
das orquídeas, estas geralmente valem-se da associação com um fungo chamado
Micorriza que se aloja nas células exteriores do velame de suas raízes e
excreta diversos nutrientes então diretamente absorvidos por suas raízes.37
Caules
Nas espécies epífitas de crescimento simpodial o caule
geralmente é composto por parte reptante, curta ou longa, fina ou espessa,
chamada rizoma e parte aérea que pode ou não encontrar-se espessada em
estrutura para reserva de água e nutrientes conhecida como pseudobulbo. Em
alguns gêneros epífitas, particularmente em alguns gêneros relacionados às
Huntleya o caule secundário aéreo encontra-se reduzido a um nódulo ínfimo que
origina as folhas.40
Nas espécies epífitas de crescimento monopodial o caule é
único e aéreo, ereto ou pendente, e não se encontra espessado em pseudobulbos,
sendo ajudado no armazenamento de nutrientes pelas folhas e raízes que brotam
continuamente ao longo de todo o caule.39
As espécies terrestres podem ou não apresentar caules
desenvolvidos e estes, diferente das epífitas, que sempre apresentam caules
perenes, podem ser parcialmente decíduos. Algumas das orquídeas terrestres
apresentam caules muito longos, que podem chegar a mais de seis metros de
comprimento.39
Folhas
A grande maioria das orquídeas apresenta folhas com
enervação paralela de cruzamentos dificilmente visíveis. Usualmente dispostas
em duas carreiras opostas e alternadas em ambos os lados do caule. Muitas
espécies apresentam apenas uma folha terminal. O formato, espessura, estrutura,
quantidade, cor e tamanho e maneira de crescimento das folhas varia
enormemente.39
· A forma das
lâminas foliares pode ser circular, elíptica, lanceolada, obovada, linear, espatulada,
oblonga, além infindável variedade de outras formas intermediárias destas.
· A ponta das
folhas pode ser arredondada, reta, acuminada, fina ou espessa, radial, ou
desigual.
· Suas margens
geralmente são suaves, parcialmente curvas, raramente denticuladas
· A estrutura
das folhas pode apresentar pecíolo ou não, com diferente número de enervações
longitudinais paralelas, bastante visíveis ou quase imperceptíveis a olho nu
· A espessura
das folhas varia de muito finas e maleáveis ou carnosas, firmes e quebradiças
até inteiramente suculentas
· Geralmente
verdes nas mais diversas gradações, suas cores podem ainda variar completamente
conforme a face, de vermelho a marrom escuro, tons acinzentados, azulados ou
amarelados. Algumas espécies apresentam folhas maculadas, estriadas ou
pintalgadas por cores diversas.
· Geralmente
com superfície brilhante, podem ainda apresentar-se foscas ou com aparência
farinosa.
Algumas espécies são desprovidas de clorofila nas folhas. A
maioria das espécies conserva suas folhas por alguns anos mas algumas perdem as
folhas logo após o período de crescimento e outras apenas em condições
ambientais desfavoráveis. Existem ainda alguns gêneros nos quais as folhas são
apenas rudimentares, dando a impressão de serem constituídas apenas pelas
raízes e flores. Nestes casos as raízes são responsáveis pela fotossíntese.37
Inflorescência
As inflorescências, de acordo com a espécie, podem ter de
uma a algumas centenas de flores, e podem ser apicais, laterais ou
basais,racemosas ou paniculadas, formando ramos, corimbos ou umbelas, com
flores simultâneas ou abrindo em sucessão, ao longo da inflorescência ou
brotando sempre no mesmo local. Algumas espécies apresentam estruturas perenes
que servem apenas para floração como no caso das espécies do gênero Psychopsis
e algumas das Masdevallia. As flores geralmente apresentam brácteas em sua
base, muitas vezes extremamente reduzidas em tamanho, ou bastante grandes e até
mais vistosas que as flores, como em algumas espécies do gênero Eria e
Cyrtopodium. A inflorescência das espécies do gênero Dimorphorchis pode
estender-se por quase cinco metros com flores espaçadas em quase um metro. A
inflorescência das Octomeria mede poucos milímetros de comprimento.39
Flores
Dentre todas as famílias de plantas possivelmente as
orquídeas é a família que apresenta maior espectro de variação floral.
Geralmente apresentam flores hermafroditas mas, além destas, em alguns gêneros
podem apresentar flores exclusivamente masculinas ou femininas.39
O tamanho das flores varia de dois milímetros a mais de
vinte centímetros. Suas cores vão de quase transparentes ao branco, com tons
esverdeados, rosados ou azulados até cores intensas, amarelos, vermelhos ou
púrpura escuro. Muitas flores são multicoloridas.39
As flores normalmente apresentam simetria bilateral, com
seis tépalas divididas em duas camadas, três externas chamadas sépalas e três
internas denominadas pétalas. Tanto as sépalas como as pétalas são grandemente
variáveis em formato e tamanho e podem ocasionalmente apresentar-se
parcialmente ou inteiramente soldadas. A pétala inferior das orquídeas a que
chamam labelo, sempre é diferenciada, ou expandida, podendo ser bastante
simples e parecida com as outras pétalas ou apresentar calos, lamelas ou
verrugas, formatos e tamanhos muito variados até bastante intrincados com cores
diversas e contrastantes. Em muitos gêneros o labelo apresenta um prolongamento
tubular oco ou um nectário próximo ao local em que se fixa à coluna, o qual recebe
o nome de calcar. A observação das estruturas e padrões do labelo é uma das
maneiras mais simples de reconhecer as diferentes espécies de orquídeas.39
Os órgãos reprodutivos (androceu e gineceu) encontram-se
reduzidos e fundidos em uma estrutura central chamada coluna, ginostêmio ou
androstilo. O número de estames varia entre as subfamílias: Apostasioideae
possui três; Cypripedioideae dois, com o estame central modificado; as demais
apresentam apenas o estame central funcional, com os dois outros atrofiados ou
ausentes. Também a observação das características da coluna ocupa posição
importante na identificação das orquídeas.39
Os grãos de pólen quase sempre encontram-se aglutinados em
massas cerosas chamadas polínias, mas podem encontrar-se também agrupados em
massa pastosa, ou rarissimamente soltos. As polínias ficam penduradas em uma
haste chamada caudículo ou estipe, conforme sua estrutura, presas por um disco
viscoso chamado viscídio, coladas por um líquido espesso secretado pelo
rostelo. A maioria das espécies epífitas apresenta uma pequena capa recobrindo
as polínias, denominada antera. O estigma é normalmente uma cavidade na coluna,
onde as polínias são inseridas pelo agente polinizador. O ovário é ínfero,
tricarpelar e possui até cerca de um milhão de óvulos.39
Fruto
Praticamente todas as orquídeas apresentam frutos
capsulares. Eles claramente diferem em tamanhos, formas e cores. As epífitas
apresentam frutos muito mais espessos com paredes carnosas, espécies terrestres
apresentam frutos mais finos com paredes mais delicadas. Geralmente são
triangulares, mais ou menos arredondados, com números de lamelas que variam de
três a nove. Alguns são lisos outros rugosos ou mesmo cheios de tricomas,
verrugas ou protuberâncias em sua superfície. Os frutos desenvolvem-se com o
engrossamento do ovário na base da flor, o qual geralmente é dividido em três
câmaras. Quando maduro o fruto seca e abre-se em três ou seis partes ao longo
do comprimento, embora não inteiramente, mantendo-se sempre preso à inflorescência.
Boa parte das sementes logo cai, depositando-se entre as raízes da planta mãe,
as sementes são também amplamente dispersas com o vento por longas
distâncias.39
Sementes
Quase todas as orquídeas apresentam sementes minúsculas e
leves, constituídas por um pequeno aglomerado de células de cobertura abrigando
um embrião. Cada planta produz de centenas de milhares de sementes em cada uma
de suas cápsulas. Ao contrário da maioria das plantas, as quais produzem um
endosperma capaz de alimentar o desenvolvimento do embrião em seus primeiros
estágios, as orquídeas utilizam-se de um processo simbiótico o fungo Micorriza
que excreta os nutrientes utilizados pela jovem orquídea a partir da
decomposição pelo fungo do material encontrado próximo à semente. Tão logo o embrião
é capaz de realizar a fotossíntese, este processo torna-se responsável pela
alimentação da planta e a Micorriza não é mais necessária, no entanto, algumas
espécies de orquídeas saprófitas nunca serão capazes de realizar a fotossíntese
plenamente e permanecem dependentes do fungo por toda a vida. Algumas espécies
de orquídeas, por exemplo as do gênero Bletilla, apresentam alguma quantidade
de endosperma. Poucas espécies de orquídeas têm sementes grandes, estas são
representadas principalmente pelos membros da subfamília Vanilloideae.37
Polinização
A maioria das flores de outras plantas utiliza-se de ofertas
de alimento aos agentes polinizadores para atraí-los. As orquídeas, sendo
plantas tão econômicas, que vivem de recursos tão esparsos, desenvolveram
outras técnicas de atração que raramente incluem estes prêmios em forma de
alimento. As formas mais comuns são o mimetismo a alguma forma que interesse
aos insetos, cores, perfumesou cera. Adaptaram-se também em sua forma de modo a
forçar os agentes polinizadores a carregarem o pólen ao visitarem as flores,
porém de maneira tão completa que somente o agente polinizador correto
ajusta-se ao mecanismo da flor, outros visitantes não carregam o pólen. Isto
ocorre devido ao fato de todo o polén estar condensado em somente um polinário
e este ser removida completo de uma vez, ou seja, a chance de polinização da
flor é única. Da mesma forma o labelo de suas flores apresenta grande variedade
de estruturas que objetivam colocar o agente polinizador na posição correta
para que as polínias aderidas a ele alojem-se na posição exata no estigma da
flor.37
Por serem plantas geralmente epífitas, o material disponível
para sua nutrição é limitado e a água disponível somente a partir daschuvas ou
umidade presente no ar, assim as orquídeas aprenderam a tirar o maior proveito
possível dos poucos recursos disponíveis. Adaptaram-se para o armazenamento de
água em caules espessados, quase suculentos, chamados pseudobulbos, ou em
raízes altamente porosas revestidas de uma camada esponjosa capaz de absorver
umidade do ar, conhecida como velame, ou em folhasbastante espessas, ou ainda,
quando terrestres, em pequenos tubérculos radiculares. Pela mesma razão,
geralmente são plantas que apresentam longo período de repouso com baixo metabolismo,
e rápido crescimento ou floração somente durante a estação em que os recursos
são mais abundantes. Muitas perdem as folhas para evitar a desidratação nos
períodos mais secos ou durante o período de repouso.12
Pela sua estrutura reprodutiva, as orquídeas
obrigatoriamente necessitam do auxílio de agentes externos para o transporte de
pólen ao órgão feminino de suas flores, uma vez que a massa polínica é pesada
demais para ser levada pelo vento, e a parte receptiva do órgão feminino não é
exposta o suficiente para recebê-la. Assim, as orquídeas selecionaram as
estratégias mais fascinantes para promover apolinização. As flores podem
possuir cores e aromas que atraem a atenção de polinizadores diversos, como
abelhas, borboletas,mariposas diurnas e noturnas, besouros e beija-flores. Sua
forma e tamanho também correspondem ao tipo de polinizador.37
Algumas flores podem assumir formas extremas. Orquídeas do
gênero europeu Ophrys, por exemplo, apresentam a cor e a forma do labelo,
ornado por cerdas, de maneira tal que se assemelham a fêmeas de uma certa
espécie de abelhas. De forma que o macho, atraído pelo feromônio produzido pela
própria flor e pela sua forma, copula com esta por engano, levando consigo as
polínias, que depositará na próxima flor que visitar.41
Outras, como o gênero africano Angraecum, com flores
noturnas, produzem néctar em tubos extremamente longos na base dos labelos, de
modo que somente certas mariposas noturnas com probóscides igualmente longas,
podem alcançá-lo. Ao posicionar-se diante das flores, as mariposas esbarram sua
cabeça nas anteras, fazendo com que as polínias sejam atiradas e presas em
si.42
As flores das orquídeas do gênero Coryanthes, contínuamente
secretam um líquido que se deposita em um recipiente formado por seu labelo. Ao
tentar coletar este líquido os insetos caem dentro do labelo e somente podem
sair por pequena abertura. Ao passar por este estreito espaço levam as polínias
em suas costas.43
O labelo das flores do gênero Bulbophyllum são presos à
coluna por uma estrutura muito delicada que permite que ele balance com ovento
mimetizando o movimento dos insetos.44
As flores do gênero Catasetum podem ser masculinas,
femininas ou hermafroditas. As flores masculinas são mais vistosas que as
femininas e apresentam duas antenas muito sensíveis próximas ao labelo, as
quais, quando tocadas pelos agentes polinizadores, ejetam o polinário com força
suficiente para, se não atingirem o inseto, percorrerem mais dois metros de
distância em uma fração de segundo.43
Algumas orquídeas, ainda, não produzem néctar, mas perfume.
Certas abelhas visitam suas flores para recolherem este perfume, que se
acredita ser usado por elas para a síntese de feromônios.45
Algumas espécies auto polinizam-se com facilidade em um
processo chamado cleistogamia.46 Enfim, há incontáveis exemplos de estratégias
de polinização entre as orquídeas, descrevê-los todos transformaria esta página
em um livro. Outros mecanismos de polinização são discutidos nos diversos
artigos sobre as espécies de orquídeas.
Evolução
Até recentemente não se sabia o momento exato em que as
orquídeas separaram-se dos ancestrais comuns que tem com as outras Asparagales,
no entanto, a descoberta do primeiro fóssil destas plantas na República
Dominicana em 2007, fez retroceder as estimativas anteriores de que as
orquídeas teriam 45 ou 50 milhões de anos para a estimativa atual de 84 milhões
de anos. O fóssil descoberto é de uma espécie terrestre similar às espécies
hoje classificadas no gênero Microchilus. Tratam-se apenas das polínias de uma
flor aderidas às costas de uma abelha que ficou presa e conservada em âmbar
desde então.47
A dispersão pantropical de certos gêneros primitivos como
Corymborkis e Vanilla parece indicar que isto ocorreu antes que os continentes
se separassem inteiramente. No entanto a evolução mais ativa das orquideas
ocorreu após esta separação e as diversas áreas tropicais já estavam bem estabelecidas,
há cerca de 55 milhôes de anos. Aceita-se também a presunção de que por esta
data as cinco espécies de subfamílias já encontravam-se estabelecidas e seus
mais primitivos ancestrais bem desenvolvidos.48
O epifitismo de todas as orquídeas decorre de ajustamento às
condições ambientais presentes ao longo de sua evolução não se constituindo em
caracter ancestral. O desenvolvimento do velame, diminuição das sementes de
maneira a poderem ser levadas pelo vento, e associação com a micorriza devem ter
ocorrido ao mesmo tempo que esta migração do solo para as árvores.
Características compartilhadas pelas orquídeas modernas indicam que o ancestral
primitivo destas plantas deveria ser uma planta pequena decrescimento
simpodial, rizoma delicado, raízes carnosas, folhas dobradas e inflorescências
terminais.49
As flores desenvolveram-se a partir de uma espécie de lírio,
aos poucos adaptando-se a cada um dos polinizadores, eliminando estruturas
desnecessárias e acrescentando elementos estruturais facilitadores da
polinização por agentes específicos. A pétala inferior, por ser o local de
pouso dos insetos adaptou-se e diferenciou-se cada vez mais das outras duas
pétalas, tornando-se cada vez mais atrativa.49
As orquídeas e o homem
As orquídeas têm fascinado os homens por mais de dois mil e
quinhentos anos. Foram utilizadas no passado em poções curativas,afrodisíacos,
para decoração e ocuparam grande papel nas superstições.50 Há diversas
referências na internet ao interesse do filósofo Chinês Confúcio por estas plantas
no entanto a maioria das menções sobre Confúcio e estas flores, em que
ressaltava as propriedades de seu perfume ao qual atribuía o caráter Lán, que
significa beleza, delicadeza, amor, pureza e elegância, vem de textos
publicados por seus seguidores e admiradores. Há pelo menos uma referência às
orquídeas feita pelo filósofo em The School Sayings of Confucius no entanto
mesmo este possivelmente é um texto apócrifo. O fato de seus seguidores
atribuírem a Confúcio as mais diversas citações sobre estas plantas apenas
confirma o interesse que já despertavam nesta época. A China tem longa história
na apreciação destas flores. Orquídeas são citadas pela literatura antiga e
retratadas pela arte chinesa desde o décimo século antes de Cristo, pinturas do
começo de dinastia Song, entre 960 e 1127 chegaram até os nossos dias. Todavia,
investigações recentes revelam que o cultivo deCymbidium começou apenas no
final da dinastia Tang entre 860 e 890 e não nos tempos de Confúcio como se
pensava antes. Possivelmente a primeira publicação exclusivamente sobre
orquídeas é uma monografia de sobre a cultura extensiva de destas plantas, no
final da dinastia Song, entre 1128 e 1283. Pelo trabalho percebe-se que seu
cultivo estava já bem estabelecido na China por esta época.51
Na Europa existem registros do período clássico grego de
Teofrasto de Lesbos, cerca de 300 AC. Em seu trabalho Historia Plantarum,
volume 9, descreve uma planta com dois pequenos tubérculos subterrâneos aos
quais chama orchis, que corresponde à palavratestículos, possivelmente um
exemplar de Anacamptis morio.52
Antes dos espanhois conquistarem o México a fruta de
Tlilxochitl, uma espécie de Vanilla, era a mais estimada dentre as
especiariasastecas. Este povo admirava também as Coatzontecomaxochitl, Stanhopea,
como flores sagradas as quais cultivavam em seus jardins.53 Os astecas
utilizavam também algumas espécies de orquídeas para fabricação de cola.54
A partir do século XVI diversos trabalhos foram publicados
na Europa: Leonhart Fuchs em Historia Stirpium (1542)55 , Hieronymus Bock56 em
suas anotações volume 2 (1546), Jacques Daléchamps em Historia Generalis
Plantarum (1586)57 . Após a publicação deSpecies Plantarum58 por Lineu, em
1753, os registros sobre orquídeas ficaram cada vez mais abundantes. Breve
resumo da história de sua classificação encontra-se no artigo sobre a taxonomia
da família Orchidaceae.
Antes de introdução de espécies exóticas na Europa, as
orquídeas eram há muito cultivadas como plantas de jardim. A primeira orquídea
introduzida na Europa foi um exemplar de Brassavola nodosa que chegou na
Holanda em 1615. Em 1688 desembarcaram asDisa uniflora vindas da África do
Sul.14
Provavelmente devido à sua supremacia, diversas coleções
importantes formaram-se na Inglaterra durante o século XIX. Em 1818chegaram os
primeiros exemplares de Cattleya labiata provenientes do Brasil, causando
grande sensação e reforçando ainda mais o interesse pelas espécies tropicais
destas plantas.59
Com o advento dos primeiros vistosos híbridos, no final do
século XIX, o interesse por novas plantas provenientes dos trópicos diminuiu um
pouco por algumas décadas, até que o interesse científico pela descrição de
novas espécies no início do século XX, aumentasse a coleta de plantas e seu
envio à Europa, principalmente para jardins botânicos e amadores interessados
na recomposição de suas coleções.60
A oferta de híbridos tem aumentado constantemente e as
técnicas de semeadura modernas desenvolveram-se muito diminuindo bastante o
preço destas plantas, outrora caras. As técnicas de seleção também
aprimoraram-se e mesmo espécies naturais de difícil cultivo tem sido
selecionadas de modo a tornar viável a cultura doméstica. A oferta de variedade
raras de espécies naturais, com cores e formas selecionadas, vem também
possibilitando a quase todos a aquisição de plantas antes apenas cultivadas por
milionários. Em poucos anos qualquer planta altamente desejável pode ser
reproduzida aos milhares61 . Vale notar o exemplo do Phragmipedium kovachii,
espécie raríssima, desconhecida da ciência até 2002, hoje comum em coleções ao
redor do mundo62 .
Usos
Apesar de sua grande variedade, poucas orquídeas são
cultivadas pela sua utilidade. Além dá já citada Vanilla, para produção
debaunilha, algumas espécies são localmente utilizadas para produção de
aromatizantes de chá, por exemplo, espécies perfumadas deJumellea, perfumes ou
tabaco, algumas Vanilla. Na Turquia usam-se os tuberculos da Anacamptis morio
para preparação de umsorvete conhecido como salep. No século XIX pseudobulbos
de Cyrtopodium eram utilizados como adesivos domésticos no Brasil.12
O verdadeiro valor das orquídeas hoje provém da produção de
flores para corte63 , principalmente híbridos dos gêneros
Phalaenopsis,Cattleya, Dendrobium, Paphiopedilum e Cymbidium. As mesmas
espécies são também bastante vendidas em vasos para ornamentação e cultivo
doméstico.64
A Tailândia tem especializado-se na produção de flores de
orquídeas para exportação para grandes cidades ao redor do mundo.65 Em 2001
exportou mais de 3 milhões de plantas vendidas por cerca de 40 milhões de
dólares.66 Desde então o ministério da agricultura daTailândia reconheceu o
potencial desta produção e tem procurado melhorar a qualidade e atratividade de
seus clones concedendo certificados aos melhores produtores.67
Nos Países Baixos são produzidas grandes quantidades de
híbridos, foi registrado um crescimento de 33% na produção de orquídeas em
vasos entre os anos de 2002 e 2003. Nos Estados Unidos estima-se que em 2003 o
mercado de plantas envasadas girou cerca de 121 milhões de dólares. Na
Tailândia em 2001, 2 240 hectares eram dedicados à produção de orquídeas68 . Em
2008 foram produzidas cerca de 200 milhões de orquídeas em vasos originárias da
Alemanha e da Holanda, principalmente híbridos, particularmente de Phalaenopsis69
.
Cultivo
Como são tantas espécies diferentes de ambientes diferentes,
é impossível apresentar os cuidados básicos de cultivo para todas elas. Assim,
o primeiro passo para cultivar uma orquídea com sucesso é a identificação
correta da espécie. Consultar orquidófilos mais experientes pode ser útil caso
surja uma planta desconhecida que se queira cultivar. Desta forma pode-se
decidir com precisão a iluminação, o regime de regas, o substrato, e outros
fatores necessários para o êxito no cultivo. O erro mais comum é plantar
orquídeas na terra. Apesar de algumas espécies desenvolverem-se bem neste tipo
de substrato, mais de setenta por cento das espécies são epífitas e não se
adaptam à umidade excessiva proporcionada pela terra, morrendo em poucos meses.
Existem muitos substratos adequados a estas plantas no mercado. Outro erro
comum é a colocação de prato sob os vasos, resultando também em umidade
excessiva. De modo geral não se devem colocar pratos nos vasos mas sim regá-las
com maior frequência deixando então que o substrato seque completamente e suas
raízes possam respirar70 71 .
Uma coisa é certa, as orquídeas de maneira geral não são
plantas delicadas e frágeis como alguns acreditam. Pelo contrário, estas
plantas (principalmente as providas de pseudobulbo) são extremamente
resistentes, e podem sobreviver durante dias fora de um substrato. Sua
capacidade de sobrevivência lhes permite que tenham tempo para adaptar sua
fisiologia a novas condições após o replantio. Os híbridos, por sua vez, são de
maneira geral extremamente resistentes, e podem prosperar mesmo em condições
adversas de cultivo, crescendo mais rápido que as espécies ditas
"naturais"70 71 .
Em boa parte das grandes cidades ao redor do mundo existem
associações orquidófilas formadas pelos amadores e profissionais locais. Estas
sociedades fazem reuniões periódicas em que se discutem as últimas novidades,
trocam-se informações de cultivo, plantas são expostas, avaliadas, trocados ou
sorteadas. Realizam palestras e quando há diversas associações similares na
redondeza, organizam exposições e campeonatos de cultivo e raridade. A maioria
dos países possui uma coordenadoria das associações responsável pela
organização e criação de regras para estas exposições e pelo bom funcionamento
de cada uma das associações, resolução de disputas, registros em geral,
premiações, criação de regras, seleção de juízes, etc. Dois bons exemplos de
associações deste tipo são a American Orchid Society [2], AOS, e a
Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil [3], CAOB. Ambas
organizações de utilidade pública, mantém sitios na internet e são boas
referências para aqueles que procuram informações sobre orquidófilos em sua
região.
O cultivo de orquídeas no sudeste brasileiro é muito comum.
São tantas a associações orquidófilas que a cada final de semana há pelo menos
duas, por vezes quatro exposições de orquídeas acontecendo ao mesmo tempo em
cidades diversas. Frequentar estas associações e exposições é o melhor o melhor
modo de aprender sobre o cultivo das orquídeas72 .
Produção
O método mais simples de reprodução, muito utilizado por
colecionadores e comerciantes em pequena escala, é a divisão do rizoma. Toma-se
uma planta adulta com pelo menos 6 pseudobulbos formados, de preferência logo
após o término da floração, e, com uma faca afiada e esterilizada, corta-se o
rizoma, de maneira a separar a planta em duas mudas com três pseudobulbos cada.
Em casos de plantas maiores, deve-se sempre manter as mudas com o mínimo de 3
ou 4 pseudobulbos para permitir seu rebrotamento. O plantio deve ser feito no
substrato adequado à espécie. A muda deve ficar fixa de alguma forma para que
as novas raízes possam brotar e se fixar no substrato. Só quando as raízes
estiverem restabelecidas as plantas voltarão a crescer73 .

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